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Quem Paga?

Como trabalhamos

Expor fatos, dados e argumentos sobre o governo federal e o Congresso para que cada pessoa tire a própria conclusão. Não defendemos lado, não pedimos voto e não declaramos vencedor de debate.

O que cobrimos

Medimos sucesso por duas coisas: ser citados como fonte por pessoas de lados opostos, e ter conteúdo que você salva e manda para alguém, mais do que curtidas.

O que entra e o que fica de fora
EntraFica de fora, por enquanto
Presidência, ministérios e autarquias federaisEstados e municípios
Congresso: projetos, votações, emendasSTF, exceto quando uma decisão muda uma política federal
Dados oficiais: IBGE, Banco Central, Tesouro, Câmara, Senado, TSE, IPEAVida pessoal de políticos
Alegações públicas sobre esses temasPesquisas de intenção de voto e enquetes

Em período eleitoral, durante as campanhas oficiais, não publicamos sobre candidatos nem sobre a eleição. A lei eleitoral proíbe o anonimato na internet durante a campanha (Lei 9.504/97, art. 57-D), e nós respeitamos isso. Também nunca publicamos conteúdo gerado por IA com candidatos ou pessoas públicas, e nunca deepfake.

Formatos

Análise de proposta
O que uma medida faz e quem ganha ou perde com ela.
Raio-x
Como está um indicador e como ele chegou até aqui: o dado, a série histórica, o contexto e o que observar.
Comparativo
Como governos diferentes lidaram com o mesmo tema: mesma métrica, mesma janela de tempo, o contexto de cada período e nenhum ranking.

A análise de proposta tem sempre a mesma ordem

Ela separa o que é fato (passos 1 e 2) do que é valor (passos 3 a 5).

  1. O que é A medida em linguagem simples, com a fonte primária: Diário Oficial, texto do projeto, medida provisória ou decreto.
  2. O que os dados dizem Números verificáveis, com fonte e data de consulta.
  3. O melhor argumento a favor Na versão mais forte que um defensor inteligente apresentaria.
  4. O melhor argumento contra Com o mesmo cuidado. A ordem entre 3 e 4 alterna a cada post.
  5. Trade-offs Quem ganha, quem paga e o que é incerto.
  6. O que observar Os indicadores que vão mostrar se funcionou, e quando.

De onde vêm os dados

Usamos as fontes em ordem de confiança. Quanto mais abaixo, mais limitado o uso.

  1. Fonte primária oficial Diário Oficial, texto de projetos e MPs, dados do IBGE, Banco Central, Tesouro, Câmara e Senado, planos de governo no TSE, relatórios do TCU e da IFI. É a base de todo número e de toda descrição de medida.
  2. Fonte técnica independente IPEA, IFI do Senado, estudos acadêmicos revisados, OCDE, FMI, Banco Mundial. Para contexto, projeções e avaliação de impacto.
  3. Imprensa Só como pista para chegar a uma fonte das duas primeiras. Sem fonte primária, citamos pelo menos dois veículos de linhas editoriais diferentes.
  4. Partes interessadas Notas de partidos, ministérios, sindicatos e associações. Só para mostrar a posição da própria parte, sempre identificada como tal.

Todo número publicado tem fonte e data de consulta. Não copiamos texto de notícia: resumimos e citamos. Falas públicas aparecem curtas, entre aspas, com autor, data e link.

Regras para números

  • Valores em reais são corrigidos pela inflação (IPCA), com o mês de referência declarado, por exemplo “em reais de set/2026”.
  • Não emendamos séries diferentes. Uma pesquisa que mudou de método não é comparada com a versão antiga como se fosse a mesma coisa.
  • Comparamos janelas equivalentes: o mesmo número de meses e o mesmo ponto do mandato, como os primeiros 24 meses de cada governo.
  • Períodos atípicos são sinalizados. 2020 e 2021 (pandemia) sempre aparecem marcados. Crises externas e choques de preço entram como contexto.
  • PIB e contas públicas são revisados pelos órgãos oficiais. Comparamos dentro da mesma revisão e citamos a data.
  • Gráficos honestos. Barras começam em zero. Gráficos comparados usam a mesma escala. O recorte de tempo é explicado.
  • Cuidado com a atribuição. Separamos o que o governo controla, o que divide com o Congresso e o que depende de fatores externos, como juros internacionais, commodities e clima. Acontecer durante um mandato não prova que foi causado por ele.

Regras contra o nosso próprio viés

Quem faz este perfil tem opinião, como todo mundo. Estas regras existem para que ela não entre no conteúdo. Elas valem para todo post, sem exceção.

Ordem alternada
Em qualquer comparação entre lados ou governos, quem aparece primeiro alterna a cada post.
Mesmo espaço
Mesmo número de slides para cada lado, diferença máxima de 15% no número de palavras, e o mesmo layout, tamanho de letra e tratamento visual.
Melhor versão do argumento
Cada argumento é escrito como o defensor mais inteligente daquela posição escreveria. O teste: alguém daquele lado leria e diria “é isso mesmo que eu penso”? O argumento do lado com que menos simpatizamos é escrito primeiro e com mais cuidado.
Teste da troca
Antes de publicar, para cada frase de avaliação: se o outro lado tivesse feito exatamente isso, escreveríamos igual? Se não, a frase muda.
Revisão adversarial
Todo roteiro passa por três leituras: uma procura onde o texto favorece a esquerda, outra onde favorece a direita, e a terceira confere cada número contra a fonte. Toda objeção é corrigida ou respondida por escrito. Objeção ignorada bloqueia a publicação.
Cor nunca indica lado
Não usamos vermelho, azul nem verde e amarelo. Lados são distinguidos por posição e rótulo, nunca por cor.
Sem fotos de políticos
Nomes no texto, com o mesmo tratamento para todos. Assim não existe escolha da foto desfavorável. Também não usamos memes, ironia visual nem emojis que avaliam.
A alegação, não a pessoa
Escrevemos “a alegação é imprecisa”, nunca “fulano mente”. Alegação verdadeira também vira post: confirmar o que o outro lado disse é a prova mais forte de imparcialidade.
Nada de curtir lado
O perfil não comenta, não curte e não compartilha conteúdo político de terceiros.

Vocabulário neutro

Descrevemos a ação e o número em vez de usar adjetivo. Usamos o nome oficial de leis e programas. Um termo carregado só aparece entre aspas e atribuído a quem o usou. Alguns exemplos:

  • “gastança”aumento de despesa de X% ou R$ X bi
  • “desmonte”redução de orçamento de X% em termos reais
  • “rombo”déficit de R$ X
  • “quebrou o país” / “salvou a economia”o indicador X foi de A para B no período
  • rótulos como “petista” ou “bolsonarista”apoiadores de X, eleitores de X, partido X
  • “fake news”informação falsa, ou o veredito da apuração
  • “admitiu”, “atacou”, “alegou” (só para um lado)disse, criticou, afirmou, para todos

A lista cresce sempre que um termo é questionado na revisão.

O placar público

Todo post é registrado no placar com duas informações: para qual lado o conteúdo é desconfortável (esquerda, direita, os dois ou nenhum) e, nas apurações, de qual lado veio a alegação e qual foi o veredito.

A regra dos 60%

Se em 30 dias um lado acumular mais de 60% dos conteúdos desconfortáveis, a próxima pauta precisa reequilibrar. Se as apurações se concentrarem num lado de origem por muito tempo, a escolha de pautas está enviesada, mesmo que cada veredito esteja certo.

Como escolhemos o tema

Um tema entra se cumprir pelo menos dois destes critérios:

  • afeta diretamente o bolso ou um serviço público que a população usa;
  • está em discussão pública agora (votação, publicação, alegação viral);
  • tem dado oficial suficiente para análise;
  • equilibra o placar, por ser desconfortável para o lado menos cobrado.

Não entra tema que dependa de especulação sobre intenção, vida privada ou informação sem fonte verificável.

Do rascunho ao post

  1. Tema Escolhido pelos critérios acima.
  2. Apuração Coleta da alegação e consulta às fontes.
  3. Roteiro Com fonte e data de consulta para cada número.
  4. Checagem automática Simetria entre os lados, ordem alternada, vocabulário.
  5. Revisão adversarial As três leituras descritas acima, mais o teste da troca.
  6. Revisão humana do veredito Nenhum veredito sai sem que uma pessoa revise.
  7. Publicação e placar O post entra no placar no mesmo dia.

Nenhuma etapa é pulada por pressa. Se um tema urgente não passa por todas a tempo, ele não sai. Publicamos em volume, e é justamente por isso que cada alegação passa pelo mesmo caminho: o volume é limitado pela capacidade de revisão, não pela de produção.

Quando o dado não fecha a questão, o veredito é Falta contexto ou Não verificável, mesmo que isso frustre quem esperava uma refutação.

Uso de inteligência artificial

Usamos ferramentas de inteligência artificial na produção, e preferimos dizer isso com clareza:

  • para coletar e transcrever vídeos, separar as alegações, consultar bases de dados oficiais e ajudar nas revisões;
  • as vozes de narração dos nossos vídeos são geradas por IA;
  • todo veredito é revisado por uma pessoa antes de publicar, e a responsabilidade por ele é nossa, não da ferramenta.

Não usamos IA para criar imagem, vídeo ou voz de políticos e pessoas públicas.

Quando erramos

Corrigimos em público, sem apagar o post original. Veja a política de erros e as erratas.

Método versão 0.2. Mudanças relevantes no método são registradas nesta página.